terça-feira, 17 de novembro de 2009

Epifania

Paralisada, estava diante de uma cena monstruosamente bela.
Tinha recebido um telefonema seu, ele parecia arrebatado, como se algo o tivesse atropelado. Disse que tinha descoberto, que estava o tempo todo ali e nunca tinha visto. O que, ela quis saber, mas ele disse que tinha que vê-la, e agora, agora. Preocupada, disse a ele que viesse até sua casa, e os minutos se arrastaram até que a campainha tocou. Um pouco nervosa, foi até a porta, abriu-a.
Ele parecia agoniado, tirou um maço de cigarros do bolso da jaqueta, ela acendeu pra ele (que só fumava em sua companhia, agora). Passou o maço pra ela, que tirou outro pra si e acendeu, enquanto ele se aproximou, e lhe beijou nervosamente. Ela prendeu-o um pouco, como costumava fazer, prolongando o beijo, tornando-o impossivelmente íntimo. Ele parecia um pouco quente demais, quase febril. Entraram.
Ele pediu uma cerveja, e foi pro quarto dela, tirando a jaqueta e colocando-a sobre uma cadeira. Ela chegou com duas cervejas, ele tomou um copo rapidamente, encheu-o de novo e tomou. Tragou o cigarro longamente, uma última vez, depositou-o no cinzeiro e fechou a porta.
Foi até ela e começaram a se beijar, no início mais calmamente, depois as respirações tornaram-se fortes, as línguas, encharcadas e incontroláveis. Ele desabotoou o short dela, e tirou-o. Deitou-a na cama, tirou os sapatos e a camisa, e deitou-se sobre ela, que sentiu-o muito quente, enquanto sua língua penetrava na boca dela novamente. Tirou a blusa dela e começou a beijar, lamber e mordiscar seus mamilos, o que extraiu gemidos suaves dela. Depois tirou sua calcinha, e ela desabotoou sua calça, e tirou-a, em seguida a cueca, expondo o membro dele, duro, muito quente, palpitando a cada toque seu.
Ele curvou-se sobre ela, separando suas pernas, que se enlaçaram nele avidamente, expondo a vagina úmida, roçando-a no membro dele, gemendo mais alto agora com a idéia de ser penetrada por ele.
Foi quando aconteceu.
Ele arrancou-a dela, simplesmente puxou uma forma luminosa pra fora do corpo dela, agarrando-a firmemente nos ombros, puxando, puxando. A partir desse instante ela não mais se moveu, contemplava em êxtase a cena, tinha perdido a consciência de seu próprio corpo. Apenas via o amante com uma versão dela feita de luz, uma luz azulada, muito brilhante, muito bela. Viu-o abrindo as pernas da figura como tinha feito com as suas, só que desta vez selvagemente, e viu-o penetrá-la muito forte, arfando, completamente tomado pela lascívia. Gemia muito, muito alto, enquanto prendia o corpo de luz muito junto do seu, sacudindo-o com cada penetração, que era mais forte e mais profunda que a anterior, e ela sentia o prazer jorrar deles para si, transferido da figura de luz para seu corpo.
Depois viu-o virar a figura de bruços, deitada, pegá-la pelo quadril, levantar sua bunda, que era oferecida sem resistência, e nela penetrar como um cavalo selvagem numa égua. Aquilo era terrível, pensou ela, ja esperando sentir a dor que imaginava que a sua réplica estaria sentindo agora. Mas nenhuma dor veio, apenas um prazer completo, um sentimento de expansão infinita.
Foi o que a fez compreender: a alma não pode ser apenas gentilmente roçada, pensou ela, é tomada por inteiro, incontrolavelmente. Nesse momento teve um orgasmo branco, gozou como nunca tinha feito antes, contorceu-se inteira, gritando de prazer.

Quando voltou à consciência, já não havia mais figura luminosa nenhuma, estava embaixo dele, suada. Viu-o retirar o pênis lentamente de dentro de sua vagina, completamente úmida agora, e deitar-se ao seu lado, ofegando. Ele aproximou a boca de seu ouvido: "Eu existo em você, por isso não posso ter apenas metade sua. Não se pode amar pela metade, assim como não se pode gozar só um pouco."
Aí beijou sua face com ternura infinita, abraçando-a, cada centímetro de suas peles tocando uma correspondente no corpo do outro. Pouco depois ela percebeu que ele tinha adormecido.


São Paulo, 08/08/08

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